O que esperar do pós crise do COVID-19

A Crise do COVID-19 – Sairemos desta mas muito diferentes

Crise do COVID-19Introdução

Estamos atravessando uma crise sem precedentes na história mundial decorrente da pandemia do coronavírus (covid-19).   Uma crise que sabemos mais ou menos quando e onde começou e que ainda não temos nenhuma perspectiva quando vai acabar.   Alguns infectologistas respeitados dizem que  ciclo de um vírus como o covid-19 leva 12 semanas até ficar controlado e que o pico no Brasil será entre a segunda e a terceira semana de abril.   O custo social e econômico da crise do COVID-19 será brutal.

Se preferir você pode assistir ao vídeo com o conteúdo deste post em https://youtu.be/tjFWrqRXD6Y.

Uma Certeza na Vida a Crise

Mas, e há sempre pelo menos um mas, há um ditado popular que diz que “tudo na vida passa” inclusive as crises e em especial a crise do COVID-19.   Crises são uma das poucas certezas da vida (leia o post “Uma certeza na vida – A CRISE” no nosso Blog em https://www.strohlbrasil.com.br/uma-certeza-na-vida-a-crise/).

Crises certamente acontecerão e um dia irão embora, provocando transformações.   A situação depois de uma crise será sempre diferente do que a situação antes da crise.   Este é um fundamento básico da Continuidade de Negócios onde a Gestão de Crises é uma de suas componentes.

Crises Latentes

Na verdade vivemos em crise, são as chamadas crises latentes, são aquelas situações que nos incomodam, causam desconforto, podem até nos fazer sofrer muito mas por um motivo ou outro optamos por não mexer e ficar na nossa zona de (des)conforto.

Com o passar do tempo a crise latente poderá diminuir, aumentar e até mesmo terminar com a eliminação do agente causador.   Alguns exemplos de crises latentes no mundo corporativo: um equipamento ou sistema que vive dando problemas, um processo ineficiente, um colaborador insubordinado que não cumpre as políticas corporativas, o superior que o acoberta etc. e que optamos por deixar como está porque “é assim” ou “sempre foi assim”.   Também temos crises latentes na nossa vida pessoal, todos.

Crises Gradativas e Intempestivas

Aí, com ou sem aviso prévio, ocorre um evento fora do nosso controle que altera de forma gradativa – uma crise gradativa – ou de forma intempestiva – uma crise intempestiva – aquela tênue relação de equilíbrio de forças desestruturando nossa zona de (des)conforto nos obrigando a reagir de alguma forma, racionalmente ou não.

A crise do COVID-19 causada pela pandemia do coronavírus é uma crise gradativa com muitas reações não racionais.

Estudamos diferentes tipos de crises decorrentes de grandes desastres há mais de 20 anos.   Terremotos de Kobe e Fukushima no Japão; acidentes nucleares Long Mile Island e Chernobyl; as epidemias ou pandemias das gripes aviária, suína, SARS, MERS; a crise econômica de 2008; participamos da aula de lições aprendidas no MIT – Massachusetts Institute of Technology apresentada pelo Comando de Defesa dos Estados Unidos sobre os atentados terroristas de 11/9; crises de vários tipos, intensidades e naturezas e podemos assegurar que todas elas, sem exceção, tem um ciclo comum e um dia passarão.

Orientação Estratégica

Desde o dia 14/03 quando a STROHL Brasil passou a oferecer gratuitamente Orientação Estratégica para as empresas desenvolverem ou aperfeiçoarem os seus Planos de Continuidade de Negócios contra o coronavírus o principal problema que identificamos foi o individualismo, o despreparo e consequentemente a inabilidade das organizações de gerirem corporativamente a crise do COVID-19.

As crises nos obrigam a ter foco, a ter um esforço coletivo para encontrar soluções mesmo que com objetivos não convergentes entre decisores e gestores.   Podemos observar isto claramente na gestão da crise do COVID-19 no Brasil nas várias esferas do governo, poderes, mídias e segmentos da sociedade.

Decidindo sobre Incertezas

Com a proliferação das redes sociais temos uma quantidade absurda de informações, a maioria inverídicas ou tendenciosas que realimentam e amplificam a crise do COVID-19.   Ainda assim, mais cedo ou mais tarde, querendo ou não, teremos que decidir baseado em incertezas e informações não confirmadas.   A opção será pela decisão menos pior devido à todas as incertezas e inseguranças pessoais dos decisores.   O que é menos pior?   O isolamento social como está sendo feito até o momento, o isolamento seletivo ou o “lockdown” radical?   São várias visões com diferentes perspectivas e incertezas em todas as opções.

E quais são as incertezas hoje?   Muitas por exemplo: por quanto tempo ficaremos em isolamento social 3, 6, 9 semanas ou mais?   Haverá “lockdown”?   Desabastecimento?   Qual será o tamanho da retração da economia?   Há ou haverá reincidência nos casos de contagio pelo coronavírus?   São inúmeras incertezas, as decisões e portanto suas consequências serão muito diferentes quanto menos incertezas tivermos.   E decisões eventualmente tomadas precisarão ser revistas à medida que novos fatos ocorram.

Quebra de Paradigmas

E lá na frente, quando tudo isto passar, porque vai passar, muitos paradigmas que antes sequer eram discutidos precisarão ser revistos e possivelmente aceitos nesta nova realidade, será o novo novo.

É uma extensa lista de exemplos: trabalho em home office, ensino a distância, processos de negócios desnecessários, sessões remotas no Congresso, nas câmaras estaduais, reuniões com vários participantes resolvidas com um e-mail objetivo, viagens substituídas por conferências por vídeo, atividades supérfluas … analise também os seus paradigmas pessoais.

As empresas serão forçadas primeiro a gerenciarem a crise gradativa do COVID-19 e depois terão que resolver as crises internas latentes ignoradas por vários anos filtrando somente o que é crítico, vital para as operações.

Controles precisarão ser aperfeiçoados rapidamente, inclusive os legislativos e regulatórios, o que implicará na revisão dos processos internos de gestão dentre eles o de riscos corporativos e o de continuidade de negócios com todas as lições aprendidas na crise do COVID-19.

O Julgamento Social

A crise do COVID-19 será criminalizada, julgada e sentenciada publicamente como responsável pela perda de milhares de vidas, muitos milhares, talvez milhões, de postos de trabalho a depender da duração da decisão tomada e pela falência de inúmeros negócios quando o grande responsável são as crises latentes que optamos por não resolver e que, de uma hora para outra, foram acionadas todas de uma vez por um evento externo que optamos por não considerar que algum dia pudesse acontecer.

Temos a absoluta certeza de que sairemos desta, porque assim são as crises, um dia elas terminam.   Quando, como e a que preço dependerá do quanto cada um de nós está realmente disposto a focar no que é crítico para encontrar, coletivamente, a saída menos pior da crise do COVID-19.   E seja qual for a decisão escolhida neste caso haverá graves consequências.

E depois?  

Depois, quando esta crise terminar tudo será muito diferente.

E VOCÊ, QUAL O SEU PAPEL NESTA CRISE E QUANTO
VOCÊ ESTÁ DISPOSTO A MUDAR PARA AJUDAR?

Leave a comment